22 de jan. de 2026

Prêmio Rato de Sebo 2025

Senhoras e senhores, respeitáveis leitores deste blog,

É com muito orgulho (e um pouco de atraso) que anuncio a primeira edição do Prêmio Rato de Sebo. O intuito do prêmio é me dar uma desculpa para falar sobre os livros favoritos que comprei ao longo de 2025, já que a tag das aquisições do mês foi para o beleléu. Os livros premiados não são os mais raros, ou os mais legais, ou os mais bonitos, mas simplesmente os livros que eu fiquei mais feliz de ter encontrado numa prateleira aleatória de um sebo qualquer.

Introdução feita, vamos lá. Os livros estão mais ou menos organizados em ordem de aquisição:

Todos os contos, de Clarice Lispector. Eu conheço muito mais a Clarice cronista do que a Clarice contista, então fiquei feliz de ter encontrado essa edição dando bobeira. 

A philosophy of walking, de Frédéric Gros. Eu amo andar e eu ando muito. Eu tinha feito o pedido para importar esse aqui pela Livraria da Travessa e logo depois encontrei ele num sebo. Corri para cancelar o pedido na LT e comprei ele pela metade do preço.

The Waste Land: a facsimile and transcript of the original drafts including the annotations of Ezra Pound, de T.S. Eliot, editado por Valerie Eliot. Ele é lindíssimo e especial e querido e fica em local de destaque na minha estante. The Wast Land foi a minha primeira (re)leitura de 2025, mas foi numa edição de bolso.

Poesia Completa: Edição Bilíngue Comemorativa do Sesquicentenário, de Arthur Rimbaud, tradução por Ivo Barroso. Eu recentemente tenho feito um esforço para ler mais poesia, e se um livro de poesia selecionada já me chama atenção, poesia completa é melhor ainda. O fato do Ivo Barroso ser um tradutor primoroso é um bônus. Curiosamente, o primeiro capítulo de A philosophy of walking é sobre o Rimbaud.

A noite mais escura e eu, de Lygia Fagundes Telles. O sebo onde eu comprei esse aqui costuma separar os livros autografados, então foi uma surpresa quando eu estava no caminho de casa e percebi que a assinatura no final da dedicatória era da própria Lygia, no ano de lançamento do livro. Ciranda de Pedra é um dos meus livros favoritos e já passou da hora de eu ler mais alguma coisa dela.

Contos completos, de Liev Tolstói. Esse aqui provavelmente não entraria nessa lista se não fosse pelo fato dele ser aquela linda edição da falecida Cosac Naify, aquela do box com os três livrinhos. As edições da CN não são exatamente raras, mas elas costumam ser vendidas rápido e por um preço absurdo. Foi uma surpresa eu encontrar esse box disponível por basicamente a metade do preço que se costuma ver por aí.

Shunga: Japanese Erotic Art. Em 2025 decidi que iria dar uma atenção maior aos livros de arte durante nas minhas idas aos sebos, na esperança de aumentar a minha própria seleção. Comprei algumas boas edições da TASCHEN, mas o destaque mesmo foi essa coletânia de shunga.

História Social da Literatura e da Arte, de Arnold Hauser. Um professor que admiro e respeito muito recomendou essa leitura durante uma aula, eu anotei o título no caderno e ficou por isso mesmo. Fiquei muito feliz quando me deparei com os dois volumes, juntinhos, no meu sebo favorito.

Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa. Essa edição, uma das mais recentes da Cia. das Letras, é outra que também vai embora rapidinho assim que chega na prateleira de um sebo. Eu consegui ela ainda com a cinta vermelha de tecido, que foi parte de uma edição limitada e agora foi substituida por uma de papel.

6 de jan. de 2026

Em 2025 fui ao cinema 35 vezes

Eu tenho a sorte grande de hoje morar numa cidade que tem cinemas que não sejam de shopping, depois de passar toda a vida numa cidade que só veio a ter um cinema comercial (de duas salas) quando eu já era adolescente. O que já é alguma coisa, eu sei (eu sei!), mesmo que o catálogo de filmes seja super limitado e todas as sessões sejam dubladas. Mas, vindo dessa escassez, hoje aprecio muito poder ir a pé pro cinema e poder assistir um filme legendado qualquer numa tarde de terça-feira com outros cinco estranhos, no máximo.

Em 2025 fui ao cinema 35 vezes e assisti 33 filmes diferentes. Era isso o que eu estava fazendo ao invés de cuidar aqui do blog! Pra esse post eu queria listar os filmes de 2025 e fazer um breve comentário sobre eles, mas percebi que é inviável escrever mais de 1 linha sobre um filme que vi 10 meses atrás, e esse negócio ia ficar muito longo, e ia demorar muito pra escrever, e eu não sou a Isabela Boscov!!! Então, espero que você não se importe com uma lista, em ordem cronológica:

JaneiroNas Ondas de Dorival CaymmiOs Sonhos de Pepe, Babygirl, Meu Bolo Favorito, Conclave, Anora (2x)

Fevereiro: A Verdadeira Dor, Flow, As Cores e os Amores de Lore, O Brutalista

Março: Flow, Pequenas Coisas Como Estas (ambos com a minha mãe)

Abril: Um Pai Para Lily, Homem Com H

Maio: Sempre Garotas, Levados Pelas Marés 

Junho: A Doce Vida

Agosto: Iracema: Uma Transa Amazônica, Um Lobo Entre os Cisnes, Uma Bela Vida

Outubro: A Viagem de Chiriro, O Castelo Animado, Vidas ao Vento, Sussuros do Coração, Dormir de Olhos Abertos, Ponyo: Uma Amizade que Veio do Mar, Porco Rosso: O Último Herói Romântico, Da Colina Kokuriko, Nausicaä do Vale do Vento

Novembro: Frankenstein, Uma Batalha Após a Outra, O Agente Secreto, A Praia do Fim do Mundo

Dezembro: Foi Apenas Um Acidente

Para 2026, quero manter esse ânimo de ir ao cinema, mas também começar a assistir mais filmes em casa. Eu até assinei o plano anual do Filmicca no final de 2024, mas devo ter assistido uns 2 filmes e olhe lá... e ainda nem renovei a assinatura. Se eu vi dez filmes em casa foi muita coisa. É que sempre que eu coloco um filme no notebook eu lembro que é muito mais legal ir ao cinema.

21 de ago. de 2025

Terça-feira à noite

Saí de casa, desci dois degraus do primeiro lance de escadas e lembrei: o ingresso do concerto! Voltei, peguei o ingresso que estava na porta da geladeira, saí de casa. Cheguei no ponto e logo veio o meu ônibus. Abri a bolsa e percebi: a carteira! Voltei, peguei a carteira que estava na bolsa que usei ontem, saí de casa. É claro que depois o meu ônibus demorou pra passar, mas no final cheguei a tempo e ficou tudo certo. Na vida há de ser assim também. Que eu possa dizer -- cheguei a tempo. Tudo certo.

11 de ago. de 2025

O Instagram Me Trancou Do Lado De Fora E Agora Eu Sou Livre

Domingo de manhã eu acordei e quando fui abrir o Instagram -- porque, sim, a primeira coisa que eu faço de manhã é pegar no celular -- vi a página de login ao invés do meu feed. Agora o Instagram quer o meu número de celular como medida de segurança para permitir que eu continue com a minha conta, e eu não sei se essa é uma informação que eu quero passar para eles. Também não sei se nos dias de hoje é muito produtiva a minha preocupação com privacidade -- a Meta já tem o meu celular, já que eu sou forçada a ter WhatsApp. Mas acontece que há um tempinho eu vinha pensando em me livrar do IG, e acabou que eles tomaram a decisão por mim.

A minha conta era privada e me servia apenas para acompanhar a agenda cultural da cidade, programação do cinema, uns sebos, lançamentos editoriais e alguns meios de comunicação da prefeitura e veículos de notícias. E às vezes dar uma espiada na vida dos outros, naturalmente. Era uma solução muito prática acompanhar tudo em um lugar só; alguns museus e espaços culturais menores tem o IG como principal meio de divulgação, e acompanhando eles por lá eu conseguia ficar ciente das atividades que estavam oferecendo sem ter que ir até eles. Tudo isso é muito legal e bonito, mas eu geralmente era puxada para o vórtice do Explorar e perdia um tempo preciso da minha vida mergulhada no mais puro brain rot. E também, do que adianta eu ver que o museu perto daqui de casa inaugurou uma exposição sobre, sei lá, cultura ribeirinha, se eu não for lá ver?

A solução que encontrei foi voltar a navegar na web como faziam os maias e os astecas. Criei pastinhas na barra de ferramentas e fui adicionando os sites de alguns dos perfis que eu costumava seguir -- no total eram 61 e eu consegui lembrar de 55, o que foi uma grande surpresa já que minha memória é péssima. Agora não vou mais abrir uma rede social para ver a programação do cinema e me perder nela: é só abrir uma nova aba no navegador, ir na pasta Programação, clicar no site do cinema e pronto. O Firefox tem uma função simples, mas maravilhosa, de abrir todos os sites de uma pasta de uma vez só, o que me permite abrir todos os sites de notícias e ir fechando eles um a um depois de dar aquela lida básica na primeira página logo de manhã.  

Há um tempinho atrás eu flertei com a ideia de ter um dumbphone, mas para mim é impossível -- não só porque sou refém do WhatsApp, mas também porque um telefone moderno tem ferramentas que realmente me são úteis: mapa, aplicativo de banco, câmera, acesso à nuvem. Mas estou satisfeita com o jeito que as coisas estão agora. Eu já tinha tentado excluir o IG, porém acabava voltando por causa da praticidade de acompanhar tudo num só feed. Estou otimista com o sistema da barra de ferramentas, mas também me sentindo um pouco estúpida por estar tão satisfeita com uma solução tão simples (não é como se eu tivesse inventado a roda).   

É legal entrar nos sites ao invés de ver vários quadradinhos em sequência. Tinha esquecido o quanto o site da Quatro Cinco Um é bonito, já que tinha séculos que eu não entrava lá pelo desktop. Quero usar esse tempo livre que antes era desperdiçado nadando no brain rot para ir na livraria comprar a edição do mês da Quatro Cinco Um, que eu não compro desde o final do ano passado. Aí aproveito que no caminho tem um museu e entro lá para dar uma olhada e descobrir qual exposição está em cartaz, talvez até perguntar para alguém que trabalha lá se vai ter algum evento nas próximas semanas. Eu sempre achei muito bonita a cultura ribeirinha.

+ I hate my phone so I got rid of it, do Eddy Burback.

+ O Inferno é a Nuvem, do Calma URGENTE!!! 

30 de jun. de 2025

Fascínio

Tudo isso há muito tempo atrás: O clipe de "All the Things She Said" da dupla t.A.T.u. Billy Elliot (dir. Stephen Daldry). As Hex Girls. A Ana Carolina. O Ryan, de High School Musical (dir. Kenny Ortega). Aquela garota que andava de bicicleta com os meninos na pista de skate. A Adriana Calcanhotto. A abertura da novela Belíssima. A Kelsey, de High School Musical (obrigada por tudo, Kenny Ortega!). Kissing Jessica Stein (dir. Charles Herman-Wurmfeld). As Sailors Neptune e Uranus, de Sailor Moon. A Maria Gadú. D.E.B.S. (dir. Angela Robinson). As Sereias da Rive Gauche, da Vange Leonel. Jennifer's Body (dir. Diablo Cody). Aquele casal de moças que vi na praia quando estava no calçadão com a minha mãe, e nós duas fingimos que não vimos nada.

Fun Home, Alison Bechdel

14 de jun. de 2025

16 de junho

No intervalo do concerto fiquei em pé, sozinha, me sentindo meio estúpida enquanto segurava uma dose de whiskey irlandês generosa demais para mim, que não sou de beber. Esse tipo de coisa faz parte da experiência, então quando a moça perguntou aceita? eu disse claro, sim, obrigada e pelo menos passei a ter um copinho plástico para ocupar as mãos. Tentei me distrair olhando os outros, gente que colocava o whiskey pra dentro com muito mais facilidade do que eu, mas não consegui achar nada interessante e foi um alívio quando o intervalo chegou ao fim. No caminho de volta para casa, eu não conseguia parar de admirar essa liberdade, liberdade de poder sair e andar por aí e ouvir música e beber e ver lugares novos: ontem nunca estive aqui, hoje olho para a copa destas árvores e amanhã não vou mais poder andar por esta rua pela primeira vez.

Comecei a pensar neste post de volta ao auditório, depois de vitoriosamente terminar minha dose. Escrevo ele agora, e você o lê no meu futuro.

12 de jun. de 2025

Dia dos namorados não é dia de São Valentim

O dia amanheceu escuro e chuvoso e eu tive que juntar coragem para lavar a cabeça na água fria. Ontem me apareceu uma espinha na testa, então joguei a franja pra frente pra cobrir ela. Preparei a primeira caneca de chá do ano, Earl Grey, meu favorito. Esquentei as mãos na caneca de chá. Tentei ser produtiva no trabalho. Li poesia. Senti frio. No fim do dia, na volta para casa, passei por uma roda de samba e estavam tocando uma das minhas favoritas do Jorge Aragão -- pra onde você for, lá pra mim já é... Esbarrei no cara que partiu o coração da minha melhor amiga. Ou ela mesma partiu o próprio coração, eu sei lá. A vida é engraçada. Chegando em casa, espremi aquela espinha.

20 de mai. de 2025

Sem título IV

A juventude é feita pra gente deixar oportunidade passar. A experiência só vem com o tempo, e quando ela chega já é tarde demais (palavras da minha mãe). Quando penso nisso sempre lembro de uma colega da época do ensino médio. Eu a achava lindíssima. Ela era um ano mais velha, extrovertida e encantadora e amiga de uma amiga. Passávamos o intervalo no mesmo grupo, trocávamos recomendações de livros, nossas conversas iam de religião à política e eu a admirava: ela era feminista. Um dia uma outra amiga em comum me mandou uma mensagem: o que você acha de fulana? Nas entrelinhas: ficaria com ela? Desconversei, sabe-se lá porquê. Anos depois entendi que estava sendo sondada, e lá se foi a oportunidade. Hoje, quando estava lembrando dessa história, lembrei também do sobrenome dela. Não resisti e procurei no Instagram. Ela cursou artes visuais, é tatuadora, ainda mora na nossa cidade. Continua lindíssima. Uma vez, pro aniversário dela, comprei um livro de poemas do Álvares de Azevedo e uma antologia de poemas modernistas, mas fiquei com vergonha de entregar pra ela. Tenho eles até hoje.

19 de mai. de 2025

Palavra guardada

Hoje mais cedo estava passando roupa enquanto ouvia uma entrevista do Gregório Duvivier. Deixo abaixo a transcrição de um dos meus momentos favoritos:

Leitura é muito fundamental, sabe? Ler, ler, ler, ler, ler, ler, ler, assim. E uma coisa que eu gosto, também, é- de algumas coisas- é curioso, porque é super careta isso, conservador, os professores torcem o nariz, mas eu adorava decorar coisas, me ajudou muito a decorar até hoje. E tem uma guerra contra decoreba, que faz sentido, porque decoreba é um saco: ah, tem que- a tabuada- aquela coisa. Mas eu adorava decorar poema, por exemplo, gostei de poesia, no começo, decorando os poemas que os professores pediam e a gente tinha que declamar. É uma coisa que não tem mais na escola hoje em dia, que é mal vista, mas o exercício de saber coisas de cor é uma delícia, um poema que você sabe de cor é um presente que você ganha pra vida toda, é uma companhia que você tem, gratuita, pra qualquer momento de trânsito, de ócio, de- não- você saber um poema de cor é uma ferramenta que você ganha no seu bolso eternamente.

Ano passado uma das minhas poucas metas foi decorar um poema -- e consegui! Então sei que é verdade isso. Às vezes estou caminhando por aí e quem me faz companhia são os versos de Vinicius de Moraes.

3 de mai. de 2025

Feriadão

Quinta coloquei a casa em ordem -- já tinha tempo que não me dedicava a isso, confesso --, arrumei as coisas, puxei os móveis, varri tudo, lavei a cozinha e área de serviço, troquei a roupa de cama e banho, coloquei a máquina para bater duas vezes, lavei o banheiro. Saí só para almoçar no restaurante que passei a frequentar recentemente e percebi que a garçonete já me conhece de tanto eu ir lá. Sexta foi dia de sair e andar pelo centro. Fui comprar uma blusa de frio e aproveitei para me arriscar e procurar uma calça jeans legal (trabalho hercúleo) e dei a sorte grande de gostar da segunda calça que experimentei, que de quebra estava com um preço ótimo. Quebrei a unha, que já é curta, experimentando a calça. Andei sem rumo pelo shopping, só por andar. Comprei uma cartela de adesivos que não vou ter coragem de usar. Depois do almoço, fui em um dos meus museus favoritos, fiquei sentada no jardim um pouquinho e percebi que sinto falta demais de ter um quintal. Lavei a roupa nova. Fui no cinema: Sempre garotas (dir. Shuchi Talati). Percebi, só de noite, que esqueci de tomar meu remédio de manhã. Dormi mal. Hoje, sábado, fui no meu sebo favorito, comprei alguns calhamaços (cinco) e voltei direto pra casa porque não tinha condições de carregar aquele peso todo pelo centro. Almocei horrores. Fui no mercado. Passei um monte (um monte) de roupa enquanto ouvia uma playlist da Mitski. Desisti de ir no cinema: Mulholland Drive (dir. David Lynch). Fiquei jururu porque amanhã já é domingo e essa maré mansa vai acabar. Comecei a escrever esse negócio aqui.

Tenho que responder os comentários aqui do bloguinho, comentar nos blogs que eu leio, dar um jeito no tanto de rascunho abandonado pela metade que tem por aqui -- achei que fosse resolver isso no BEWA, mas não foi dessa vez. Tenho que colocar as leituras em dia, tenho que escrever, tenho que atualizar meu currículo, tenho que um monte de outras coisas. Mas durante esses três dias foi bom organizar a casa, cuidar das minhas coisinhas, e deixar as preocupações para segunda. No meio do caminho notei que estou começando a me sentir eu mesma outra vez, o que é uma bonança depois desse tempo todo meio desalinhada.

Amanhã, domingo, eu vou desejar que seja sábado outra vez. Talvez eu assista Nosferatu (dir. Robert Eggers).

23 de abr. de 2025

Zuma Deluxe

Recentemente, me dei conta que eu poderia pesquisar alguns dos meus jogos de infância no Steam e, quem sabe, experimentar a feliz coincidência de encontrar um deles por lá. 

Um desses jogos é o Zuma Deluxe (2003), um joguinho de puzzle no estilo combine três, o que, claro, é um grande sucesso entre a garotada mais descolada. Nele, o jogador é responsável por controlar um sapinho de pedra que lança as esferas, formando as combinações. Todo o jogo tem uma inspiração... inca? maia? e absolutamente nenhuma história, nem que meia tigela, de plano de fundo. Por que um sapo de pedra? Porque a vibe asteca? Ninguém vai te explicar.

O Deluxe é uma versão aprimorada do Zuma, e uma versão aprimorada do Zuma Deluxe, chamada Zuma's Revenge, foi lançada em 2009 com gráficos mais bonitinhos, porém sem a música que é marca registrada do jogo (vídeo abaixo), perdendo assim alguns pontos comigo. Comprei os dois por R$ 2,47 cada numa promoção, mas o preço normal é R$ 9,90 cada. Se você nunca jogou Zuma Deluxe na sua primeira infância num computador dinossauro no quarto dos seus pais, recomendo esperar alguma promoção, caso queira jogar.

 
Eu nunca assisti Friends.

[post resgatado do limbo da pasta de rascunhos para o BEWA 2025]

1 de abr. de 2025

BEWA 2025

Hoje é primeiro de Abril e esse é o segundo post do ano (deus do céu, o que está acontecendo?). A Lana do PorceLana está organizando a segunda edição do BEDA semanal -- o BEWA. Eu participei do primeiro e desde o início do ano já estava pensando nos quatro posts do mês, mas é claro que não rascunhei nem planejei nada. Vai ser tudo no susto mesmo, mas há de dar certo. Vai ser a oportunidade perfeita para dar andamento a alguns dos dezesseis (!!!) posts que estão no limbo da pasta de rascunhos.

31 de jan. de 2025

Um ano no litoral

Hoje, 31 de janeiro, faz um ano desde minha primeira postagem nesse bloguinho. Na época, ter um blog era algo que eu queria fazia um tempo, mas vivia adiando por insegurança. Pra que um blog? O que eu vou postar? E quem é que vai ler? Bom, quis um blog porque acho divertido. Posto o que der na telha, e tudo bem se os meus posts são só sobre uma bobeirinha que eu vi e gostei e não uma resenha estupenda ou um texto sublime. E quem lê é você.

Achei que seria legal deixar registrado os cinco posts mais lidos do ano. Tiveram alguns empates, então tecnicamente são os sete posts mais lidos do ano. Foi engraçado perceber que os três posts mais populares (primeiro e segundo lugares) foram os menos planejados e os que eu escrevi mais rápido.

1. AGF / Giselle mad scene

2. Sem título

3. O diabo disfarçado de mulher 

4. Os melhores "Melhores do Ano" de 2024 / I'm in the pleasure business

5. Leitura de outubro (sim, no singular)

Queria agradecer a quem tira um tempinho para passar por aqui e ler o que eu escrevo, saiba que fico muito agradecida, mesmo. Também queria pedir desculpa por essa ausência -- que nem é tão grande assim, considerando que o último post é de 26 de dezembro, mas para mim parece que foi há mais tempo. Janeiro é sempre um mês tão longo...

26 de dez. de 2024

Os melhores "Melhores do Ano" de 2024

Eu tinha pensado em fazer uma lista das melhores leituras do ano, ou talvez dos melhores filmes, mas no final das contas tive a brilhante ideia de deixar esse trabalho de retrospectiva pros outros e simplesmente listar as melhores (e/ou mais conceituadas/populares) listas de melhores do ano. Praticidade é tudo!

 

Os Melhores Livros de 2024, Quatro Cinco Um 

A Quatro Cinco Um, a revista dos livros, perguntou para 180 colaboradores quais foram os melhores lançamentos do ano. Ela não forneceu uma lista preliminar, o que é legal porque amplia as possibilidades de respostas, mas o que é ruim porque resultou num monte de livro com 1 votinho só. É por causa dessa lista que eu estou doida para ler O homem não existe: masculinidade, desejo e ficção, da Ligia Gonçalves Diniz.

Os mais lidos de 2024, Portal da Crônica Brasileira

No início do mês o Guilherme Tauil postou no Portal quais foram os autores e as crônicas mais acessadas do ano. Das favoritas do público, destaco "O padeiro", do Rubem Braga (meu queridinho e queridinho de muita gente também, já que ficou com o primeiro lugar na categoria perfil mais acessado).

The Best Movie Posters of 2024, MUBI

Aparentemente, na MUBI eles têm um movie poster columnist -- ou seja, o emprego dos sonhos: é tipo a Carrie Bradshaw se ela fosse cinéfila. Não dá pra viver só disso, claro, assim como a gente sabe que não tinha como a Carrie se manter na NY dos anos 1990/2000 tendo só uma coluna de jornal sobre sexo, mas a gente pode sonhar. O Adrian Curry -- o movie poster columnist -- reuniu os melhores designs do ano, tradição que ele tem desde 2009, pelo menos. Atenção para o poster de Retratos Fantasmas (dir. Kleber Mendonça Filho) em sexto lugar. Brasil-sil-sil!!

The 10 Best Books of 2024, The New York Times

Um tempinho atrás o NYT lançou uma lista com os 100 melhores livros do século. Agora foi a vez dos 10 melhores do ano, que foram escolhidos pela própria equipe do jornal. Lá no finalzinho da página tem outras listas de 10 melhores livros -- os 10 melhores livros de romance, thriller, etc, etc.

Goodreads Choice Awards 2024, Goodreads

Desde 2011 o Goodreads escuta a voz do povo e organiza uma votação para eleger os melhores livros do ano, divididos em suas respectivas categorias. A votação de 2024 angariou 6,261,936 votos (!!!) e elegeu um monte de livro que eu não conheço. Também foi aqui que eu descobri que, pelo jeito, romantasy é um gênero literário agora.

Hodges Figgis' Book of the Year, Hodges Figgis Booksellers

A Hodges Figgis é, simplesmente, a livraria mais antiga da Irlanda, fundada em 1768. Eles organizaram a lista de melhores do ano em três categorias: Livro do Ano, Livro Irlandês do Ano e Livro Infantil do Ano. Até aqui eu tentei ser cuidadosa ao explicar como cada publicação fez para construir sua lista, mas não encontrei muito sobre como a Hodges Figgis escolheu os vencedores. Graças a eles descobri que o Colm Tóibín lançou, agora no final do ano, uma continuação de Brooklyn que estou ansiosa para ler.

13 de dez. de 2024

Leituras de novembro (quase que no singular de novo)

Em novembro fiz o que estava querendo fazer há um tempo e reli Paixão Simples, da Annie Ernaux. Depois disso li O Jovem, também da Ernaux. Se Paixão Simples é um livro curto, com 61 páginas, esse é menor ainda, com 56 páginas. E só 30 delas são de texto, o resto é dedicado à fotografias da autora -- a primeira foto, inclusive, é a mesma da capa de Paixão. Francamente, acho que tudo poderia ter sido um livro só, levando em consideração que são dois textos curtos (nenhum deles é dividido em capítulos, apesar de ter quebras de texto ao longo de ambos) e que tratam de temas em comum: o processo de escrita, desejo, tempo, memória...

Eu aproveitei que em novembro teve promoção no site da Travessa e comprei alguns títulos da Ernaux, O Jovem incluso. Só depois fui ver que a Todavia lançou um box lindíssimo com todos os livros dela que eles publicaram aqui no Brasil e quase espumei pela boca dentro da livraria (hipérbole).

30 de nov. de 2024

Sem título #3

Sábado é dia de andar por aí, mesmo depois de uma semana inteira mal dormida. Passei os últimos dias ansiosa e apreensiva, o que geralmente bagunça o meu ritmo. E, além desses últimos dias, outubro também foi um mês complicado e novembro seguiu no mesmo compasso. Mas aí o que estava me tirando o sono durante a semana se resolveu ontem, no penúltimo dia do mês, num desfecho que não é o fim, mas uma promessa  -- eu espero! -- de coisa boa, bonita e letrada. 

Então sábado é dia de andar por aí, feliz, na esperança que esse deleite dure e dure e dure e permaneça comigo por tempo o suficiente para que eu faça o que tenho que fazer e, quando eu ficar triste, que a lembrança desse estado de contentamento seja o suficiente para me encorajar.

Agora tudo é lindo: o casal de noivos saindo da igreja, o pombo aos pés de S. Sebastião, a banda tocando Bohemian Rhapsody, a senhora com um ventilador portátil na mão, o senhor sorrindo e me chamando de menina, a loja de CDs tão movimentada que é impossível andar sem pedir licença o tempo todo, a gringa se desenrolando em português mesmo eu sabendo inglês, a água de coco cara, esse tanto de árvores de Natal. E eu faço parte desse mundo e tenho tanto amor por ele que às vezes parece até impossível ser triste.

17 de nov. de 2024

I'm in the pleasure business

Não sou muito familiarizada com o trabalho do Anthony Bourdain, mas um tempo atrás li uma citação atribuída a ele e vira e volta me pego pensando nela:

"As a chef I'm not your dietician or your ethicist, I'm in the pleasure business."

Mas como é fácil atribuir qualquer fala a qualquer pessoa, fui em busca da fonte na esperança do Bourdain realmente ter falado isso. Primeiro cheguei até o Eater.com, que me mandou para o Grub Street. A frase em questão é sim do Bourdain (uhul!), e ela veio de um painel em que ele participou com os chefs Alice Waters e Duff Goldman em maio de 2009.

É uma pena que eu tenha encontrado somente trechos do painel; dá para perceber que tem certas falas em que os chefs fazem referências a coisas ditas anteriormente. Enfim, deixo aqui o vídeo que tem a citação em questão. Abaixo do corte está a transcrição das duas principais falas do Bourdain presentes nesse trecho, já que acredito que a segunda complementa a primeira, e a minha tradução. Caso alguém se interesse pela tradução do vídeo todo, é só avisar.


8 de nov. de 2024

O Quarto ao Lado (2024), dir. Pedro Almodóvar

Saí agora pouco de uma sessão de O Quarto ao Lado, do Almodóvar. A sessão não estava cheia -- também, é uma terça à noite -- e eu fui sem ver o trailer do filme, sabia só que se tratava de duas amigas de longa data que voltam a ter contato depois de anos separadas.

A trama revolve em torno de Ingrid (Julianne Moore) e Martha (Tilda Swinton): Martha, já debilitada devido a um câncer e com pouca perspectiva de melhora, e decidida a ter uma morte digna ao invés de definhar, pede a Ingrid para acompanhá-la durante seus dias finais. Juro que não quero ser chata, mas não consigo deixar de pensar que a ideia de Martha para sua morte não faz sentido. Por que a necessidade de estar acompanhada, se ela comete o ato quando Ingrid nem está em casa, no quarto ao lado? Por que deixar Ingrid nessa posição vulnerável de cúmplice? E, principalmente, sendo ela uma pessoa instruída e com recursos, por que não a Suíça?

Martha e Ingrid são personagens planas, e nada inferia que elas eram amigas além do fato que isso foi explicitamente dito logo no início. Moore e Swinton, surpreendentemente, apresentaram uma atuação engessada que destoa daquilo que elas são capazes de entregar. O diálogo, por sua vez, era forçado e pouco convincente, as personagens falavam o que sentiam, falavam o que estavam fazendo e discursam com pouquíssima naturalidade seus pontos de vista, deixando pouca abertura para qualquer tipo de sutileza. Li alguns comentários que sugeriam que isso é devido a um problema de tradução (é o primeiro filme em inglês do Almodóvar) e que talvez a coisa toda fosse soar melhor em espanhol, mas, francamente, acho que o diálogo que era fraco mesmo.

Durante o filme, foi impossível não lembrar do Antônio Cícero. Martha, já abalada pela doença, comenta a dificuldade de ler e escrever, de manter a concentração... Passei os dias que seguiram a morte do Antônio Cícero pensando demais nele e na questão do suicídio assistido, que é um assunto marcante para mim, então foi bizarro assistir um filme que se encaixa tão bem nessa discussão, mas que não faz jus ao tópico que retrata.

Como ponto positivo, posso dizer que a Tilda Swinton estava lindíssima e com um figurino impecável que eu fiquei invejando durante a maior parte do filme. A escolha dos tons de batom utilizados pela Julianne Moore também foi fantástica e me fez até pensar "eu deveria usar uns batons assim!", me esquecendo completamente que eles realçam minhas olheiras.

***

Escrevi esse post dia 05/11/2024, logo que saí do cinema mesmo. Engavetei ele por uns dias para ruminar e achar ele ruim, desistir de publicar, desistir de desistir e decidir publicar do jeito que estiver e pronto, tanto faz. Agora solto ele na natureza.

E deixo aqui a crítica da Isabela Boscov, que é muito mais articulada do que eu.

5 de nov. de 2024

Leitura de outubro (sim, no singular)

Gostaria de poder falar que esse mês minhas leituras não renderam porque estive ocupada com as leituras acadêmicas, ou porque estive atarefada com compromissos do trabalho. Talvez porque finalmente iniciei aquela aula de desenho que venho sonhando a tempos e agora passo todo o meu tempo livre rascunhando. Porque voltei a caminhar todo dia, porque comecei até a correr. Porque larguei tudo e fui fazer um mochilão pela América Latina, porque resolvi virar monge, porque estou apaixonada demais para ler... 

(O chato é que eu escrevi isso tentando ser engraçadinha, mas percebi que tudo isso depende só de mim, até as coisas que aumentei para fins cômicos -- para a tentativa de um fim cômico, pelo menos. Agora estou me sentindo menos engraçadinha. Bom, pelo menos sou self-aware... Que? A leitura de outubro? Ah é, claro, o motivo de eu ter iniciado esse post. Vamos lá.)

Comprei Paixão Simples, da Annie Ernaux, no início de outubro. O livreiro, quando me viu com ele na mão, recomendou muitíssimo a leitura e profetizou que eu iria iniciar e terminar no mesmo dia da compra -- é um livro curtinho, 61 páginas, então não foi uma façanha muito difícil. Paixão Simples, publicado inicialmente em 1991, vai tratar do caso que a autora viveu com um homem casado e mais novo. No fundo, o livro não é sobre o caso, nem sobre o homem e nem sobre a própria autora; no final da página 60, lemos: "Ele me disse 'você não vai escrever um livro sobre mim'. Ora, mas não escrevi um livro sobre ele, nem sobre mim mesma. Apenas expressei com palavras -- que talvez ele nem leia, e não são destinadas a ele -- o que a existência dele, por si só, me trouxe. Um tipo de dom reverso".

Está arriscadíssimo que Paixão Simples seja o melhor livro que li em 2024. Inclusive, estou doida para reler, o que quase fiz logo no dia seguinte que concluí a leitura pela primeira vez. Não estou escrevendo isso aqui para ser uma resenha, é só o post da leitura do mês (ou seja, é pra ser breve), mas essa leitura me deixou completamente embasbacada e eu recomendo demais da conta, mesmo. Ernaux tem uma escrita extremamente precisa, sem rodeios, mas com uma expressividade e alcance imensos. Foi realmente um livro delicioso de se ler.

A edição é da Editora Fósforo -- muito caprichada, papel Pólen Bold 90 g/m², com um projeto gráfico que também marca os outros livros da autora lançados pela casa, pra todo mundo ficar combinando na estante. A tradução é da Marília Garcia, que também traduziu outras obras da Ernaux.

Annie Ernaux ganhou o Nobel de Literatura em 2022 e eu só fui ler alguma coisa dela agora. Sendo assim, podemos supor que eu só vou colocar as mãos em um livro da Han Kang em 2026.

30 de out. de 2024

Sem título II

O final de outubro não tem sido lá muito bom. Tenho estado desanimada e apática e, à noite, chorosa. No último domingo acordei 12h com uma dúzia de ligações perdidas da minha mãe, preocupadíssima por eu não ter dado um sinal de vida já que, no mais tardar, acordo 8h. Passei o resto do dia molenga e de pijama, não saí de casa e não tive espírito para cuidar dos afazeres domésticos. A semana se iniciou assim, os dias passando de qualquer maneira, o trabalho acumulando, nenhuma leitura rendendo.

Nada demais aconteceu, nada fora do comum daquilo que já é rotina. Não quero me delongar desnecessariamente sobre minha vida pessoal (esse post inteiro já é desnecessário). Recentemente venho, mais do que me é normal, remoendo, ruminando, desejando coisas -- não coisas, mas vivências e experiências -- que muito provavelmente, é o que me parece agora, não vão se concretizar. Experiências que fazem parte da vida de tanta gente e que eu fico a observar do lado de fora, pela janela, incapaz de participar.

Ontem à noite me arrastei para o teatro. Não estava animada para ir, mas o ingresso já estava comprado e fazia um tempo que eu não via uma apresentação do conjunto de música em questão. No meio do espetáculo, durante uma canção de amor, talvez, notei a troca de olhares de dois dos músicos. Quanto mais acontecia, mais o pensamento se formava: serão eles um casal? Acompanho o conjunto faz um tempo e nunca tinha reparado. Eles se olhavam com frequência, sorrindo, e ela cantava as partes mais bonitas das canções para ele. Casal ou não, era um olhar terno, de cumplicidade e admiração, o tipo de coisa que existe tanto entre um casal de amantes quanto entre dois músicos experientes e apaixonados pelo o que fazem. Naquele instante, fiquei feliz de ser testemunha de um momento tão singelo. Segurei a risada e as lágrimas, aplaudi com os demais ouvintes, e saí de lá meio deslumbrada com esse negócio que a gente chama de vida.

Sigo olhando pela janela.