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6 de jan. de 2026

Em 2025 fui ao cinema 36 vezes

Eu tenho a sorte grande de hoje morar numa cidade que tem cinemas alternativos, depois de passar toda a vida numa cidade que só veio a ter um cinema de shopping (de duas salas) quando eu já era adolescente. O que já é alguma coisa, eu sei (eu sei!), mesmo que o catálogo de filmes seja super limitado e todas as sessões sejam dubladas. Mas, vindo dessa escassez, hoje aprecio muito poder ir a pé pro cinema e poder assistir um filme legendado qualquer numa tarde de terça-feira com outros cinco estranhos, no máximo.

Em 2025 fui ao cinema 36 vezes e assisti 34 filmes diferentes. Era isso o que eu estava fazendo ao invés de cuidar aqui do blog! Pra esse post eu queria listar os filmes de 2025 e fazer um breve comentário sobre eles, mas percebi que é inviável escrever mais de 1 linha sobre um filme que vi 10 meses atrás, e esse negócio ia ficar muito longo, e ia demorar muito pra escrever, e eu não sou a Isabela Boscov!!! Então, espero que você não se importe com uma lista, em ordem cronológica:

JaneiroNas Ondas de Dorival Caymmi (2023), Os Sonhos de Pepe (2024), Babygirl (2024), Meu Bolo Favorito, Conclave (2024), Anora (2024) (2x)

Fevereiro: A Verdadeira Dor (2024), Flow (2024), As Cores e os Amores de Lore (2024), O Brutalista (2024)

Março: Flow (2024), Pequenas Coisas Como Estas (2024) (ambos com a minha mãe)

Abril: Um Pai Para Lily (2024), Homem Com H (2025)

Maio: Sempre Garotas (2024), Levados Pelas Marés (2024)

Junho: A Doce Vida (1960)

Agosto: Iracema: Uma Transa Amazônica (1974), Um Lobo Entre os Cisnes (2025), Uma Bela Vida (2024)

Outubro: A Viagem de Chiriro (2001), O Castelo Animado (2004), Vidas ao Vento (2013), Sussuros do Coração (1995), Dormir de Olhos Abertos (2024), Ponyo: Uma Amizade que Veio do Mar (2008), Porco Rosso: O Último Herói Romântico (1992), Da Colina Kokuriko (2011), Nausicaä do Vale do Vento (1984)

Novembro: Frankenstein (2025), Uma Batalha Após a Outra (2025), O Agente Secreto (2025), A Praia do Fim do Mundo (2021)

Dezembro: Cyclone (2025), Foi Apenas Um Acidente (2025)

Para 2026, quero manter esse ânimo de ir ao cinema, mas também começar a assistir mais filmes em casa. Eu até assinei o plano anual do Filmicca no final de 2024, mas devo ter assistido uns 2 filmes e olhe lá... e ainda nem renovei a assinatura. Se eu vi dez filmes em casa foi muita coisa. É que sempre que eu coloco um filme no notebook eu lembro que é muito mais legal ir ao cinema.

8 de nov. de 2024

O Quarto ao Lado (2024), dir. Pedro Almodóvar

Saí agora pouco de uma sessão de O Quarto ao Lado, do Almodóvar. A sessão não estava cheia -- também, é uma terça à noite -- e eu fui sem ver o trailer do filme, sabia só que se tratava de duas amigas de longa data que voltam a ter contato depois de anos separadas.

A trama revolve em torno de Ingrid (Julianne Moore) e Martha (Tilda Swinton): Martha, já debilitada devido a um câncer e com pouca perspectiva de melhora, e decidida a ter uma morte digna ao invés de definhar, pede a Ingrid para acompanhá-la durante seus dias finais. Juro que não quero ser chata, mas não consigo deixar de pensar que a ideia de Martha para sua morte não faz sentido. Por que a necessidade de estar acompanhada, se ela comete o ato quando Ingrid nem está em casa, no quarto ao lado? Por que deixar Ingrid nessa posição vulnerável de cúmplice? E, principalmente, sendo ela uma pessoa instruída e com recursos, por que não a Suíça?

Martha e Ingrid são personagens planas, e nada inferia que elas eram amigas além do fato que isso foi explicitamente dito logo no início. Moore e Swinton, surpreendentemente, apresentaram uma atuação engessada que destoa daquilo que elas são capazes de entregar. O diálogo, por sua vez, era forçado e pouco convincente, as personagens falavam o que sentiam, falavam o que estavam fazendo e discursam com pouquíssima naturalidade seus pontos de vista, deixando pouca abertura para qualquer tipo de sutileza. Li alguns comentários que sugeriam que isso é devido a um problema de tradução (é o primeiro filme em inglês do Almodóvar) e que talvez a coisa toda fosse soar melhor em espanhol, mas, francamente, acho que o diálogo que era fraco mesmo.

Durante o filme, foi impossível não lembrar do Antônio Cícero. Martha, já abalada pela doença, comenta a dificuldade de ler e escrever, de manter a concentração... Passei os dias que seguiram a morte do Antônio Cícero pensando demais nele e na questão do suicídio assistido, que é um assunto marcante para mim, então foi bizarro assistir um filme que se encaixa tão bem nessa discussão, mas que não faz jus ao tópico que retrata.

Como ponto positivo, posso dizer que a Tilda Swinton estava lindíssima e com um figurino impecável que eu fiquei invejando durante a maior parte do filme. A escolha dos tons de batom utilizados pela Julianne Moore também foi fantástica e me fez até pensar "eu deveria usar uns batons assim!", me esquecendo completamente que eles realçam minhas olheiras.

***

Escrevi esse post dia 05/11/2024, logo que saí do cinema mesmo. Engavetei ele por uns dias para ruminar e achar ele ruim, desistir de publicar, desistir de desistir e decidir publicar do jeito que estiver e pronto, tanto faz. Agora solto ele na natureza.

E deixo aqui a crítica da Isabela Boscov, que é muito mais articulada do que eu.