22 de jan. de 2026

Prêmio Rato de Sebo 2025

Senhoras e senhores, respeitáveis leitores deste blog,

É com muito orgulho (e um pouco de atraso) que anuncio a primeira edição do Prêmio Rato de Sebo. O intuito do prêmio é me dar uma desculpa para falar sobre os livros favoritos que comprei ao longo de 2025, já que a tag das aquisições do mês foi para o beleléu. Os livros premiados não são os mais raros, ou os mais legais, ou os mais bonitos, mas simplesmente os livros que eu fiquei mais feliz de ter encontrado numa prateleira aleatória de um sebo qualquer.

Introdução feita, vamos lá. Os livros estão mais ou menos organizados em ordem de aquisição:

Todos os contos, de Clarice Lispector. Eu conheço muito mais a Clarice cronista do que a Clarice contista, então fiquei feliz de ter encontrado essa edição dando bobeira. 

A philosophy of walking, de Frédéric Gros. Eu amo andar e eu ando muito. Eu tinha feito o pedido para importar esse aqui pela Livraria da Travessa e logo depois encontrei ele num sebo. Corri para cancelar o pedido na LT e comprei ele pela metade do preço.

The Waste Land: a facsimile and transcript of the original drafts including the annotations of Ezra Pound, de T.S. Eliot, editado por Valerie Eliot. Ele é lindíssimo e especial e querido e fica em local de destaque na minha estante. The Wast Land foi a minha primeira (re)leitura de 2025, mas foi numa edição de bolso.

Poesia Completa: Edição Bilíngue Comemorativa do Sesquicentenário, de Arthur Rimbaud, tradução por Ivo Barroso. Eu recentemente tenho feito um esforço para ler mais poesia, e se um livro de poesia selecionada já me chama atenção, poesia completa é melhor ainda. O fato do Ivo Barroso ser um tradutor primoroso é um bônus. Curiosamente, o primeiro capítulo de A philosophy of walking é sobre o Rimbaud.

A noite mais escura e eu, de Lygia Fagundes Telles. O sebo onde eu comprei esse aqui costuma separar os livros autografados, então foi uma surpresa quando eu estava no caminho de casa e percebi que a assinatura no final da dedicatória era da própria Lygia, no ano de lançamento do livro. Ciranda de Pedra é um dos meus livros favoritos e já passou da hora de eu ler mais alguma coisa dela.

Contos completos, de Liev Tolstói. Esse aqui provavelmente não entraria nessa lista se não fosse pelo fato dele ser aquela linda edição da falecida Cosac Naify, aquela do box com os três livrinhos. As edições da CN não são exatamente raras, mas elas costumam ser vendidas rápido e por um preço absurdo. Foi uma surpresa eu encontrar esse box disponível por basicamente a metade do preço que se costuma ver por aí.

Shunga: Japanese Erotic Art. Em 2025 decidi que iria dar uma atenção maior aos livros de arte durante nas minhas idas aos sebos, na esperança de aumentar a minha própria seleção. Comprei algumas boas edições da TASCHEN, mas o destaque mesmo foi essa coletânia de shunga.

História Social da Literatura e da Arte, de Arnold Hauser. Um professor que admiro e respeito muito recomendou essa leitura durante uma aula, eu anotei o título no caderno e ficou por isso mesmo. Fiquei muito feliz quando me deparei com os dois volumes, juntinhos, no meu sebo favorito.

Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa. Essa edição, uma das mais recentes da Cia. das Letras, é outra que também vai embora rapidinho assim que chega na prateleira de um sebo. Eu consegui ela ainda com a cinta vermelha de tecido, que foi parte de uma edição limitada e agora foi substituida por uma de papel.

6 de jan. de 2026

Em 2025 fui ao cinema 35 vezes

Eu tenho a sorte grande de hoje morar numa cidade que tem cinemas que não sejam de shopping, depois de passar toda a vida numa cidade que só veio a ter um cinema comercial (de duas salas) quando eu já era adolescente. O que já é alguma coisa, eu sei (eu sei!), mesmo que o catálogo de filmes seja super limitado e todas as sessões sejam dubladas. Mas, vindo dessa escassez, hoje aprecio muito poder ir a pé pro cinema e poder assistir um filme legendado qualquer numa tarde de terça-feira com outros cinco estranhos, no máximo.

Em 2025 fui ao cinema 35 vezes e assisti 33 filmes diferentes. Era isso o que eu estava fazendo ao invés de cuidar aqui do blog! Pra esse post eu queria listar os filmes de 2025 e fazer um breve comentário sobre eles, mas percebi que é inviável escrever mais de 1 linha sobre um filme que vi 10 meses atrás, e esse negócio ia ficar muito longo, e ia demorar muito pra escrever, e eu não sou a Isabela Boscov!!! Então, espero que você não se importe com uma lista, em ordem cronológica:

JaneiroNas Ondas de Dorival CaymmiOs Sonhos de Pepe, Babygirl, Meu Bolo Favorito, Conclave, Anora (2x)

Fevereiro: A Verdadeira Dor, Flow, As Cores e os Amores de Lore, O Brutalista

Março: Flow, Pequenas Coisas Como Estas (ambos com a minha mãe)

Abril: Um Pai Para Lily, Homem Com H

Maio: Sempre Garotas, Levados Pelas Marés 

Junho: A Doce Vida

Agosto: Iracema: Uma Transa Amazônica, Um Lobo Entre os Cisnes, Uma Bela Vida

Outubro: A Viagem de Chiriro, O Castelo Animado, Vidas ao Vento, Sussuros do Coração, Dormir de Olhos Abertos, Ponyo: Uma Amizade que Veio do Mar, Porco Rosso: O Último Herói Romântico, Da Colina Kokuriko, Nausicaä do Vale do Vento

Novembro: Frankenstein, Uma Batalha Após a Outra, O Agente Secreto, A Praia do Fim do Mundo

Dezembro: Foi Apenas Um Acidente

Para 2026, quero manter esse ânimo de ir ao cinema, mas também começar a assistir mais filmes em casa. Eu até assinei o plano anual do Filmicca no final de 2024, mas devo ter assistido uns 2 filmes e olhe lá... e ainda nem renovei a assinatura. Se eu vi dez filmes em casa foi muita coisa. É que sempre que eu coloco um filme no notebook eu lembro que é muito mais legal ir ao cinema.

21 de ago. de 2025

Terça-feira à noite

Saí de casa, desci dois degraus do primeiro lance de escadas e lembrei: o ingresso do concerto! Voltei, peguei o ingresso que estava na porta da geladeira, saí de casa. Cheguei no ponto e logo veio o meu ônibus. Abri a bolsa e percebi: a carteira! Voltei, peguei a carteira que estava na bolsa que usei ontem, saí de casa. É claro que depois o meu ônibus demorou pra passar, mas no final cheguei a tempo e ficou tudo certo. Na vida há de ser assim também. Que eu possa dizer -- cheguei a tempo. Tudo certo.

11 de ago. de 2025

O Instagram Me Trancou Do Lado De Fora E Agora Eu Sou Livre

Domingo de manhã eu acordei e quando fui abrir o Instagram -- porque, sim, a primeira coisa que eu faço de manhã é pegar no celular -- vi a página de login ao invés do meu feed. Agora o Instagram quer o meu número de celular como medida de segurança para permitir que eu continue com a minha conta, e eu não sei se essa é uma informação que eu quero passar para eles. Também não sei se nos dias de hoje é muito produtiva a minha preocupação com privacidade -- a Meta já tem o meu celular, já que eu sou forçada a ter WhatsApp. Mas acontece que há um tempinho eu vinha pensando em me livrar do IG, e acabou que eles tomaram a decisão por mim.

A minha conta era privada e me servia apenas para acompanhar a agenda cultural da cidade, programação do cinema, uns sebos, lançamentos editoriais e alguns meios de comunicação da prefeitura e veículos de notícias. E às vezes dar uma espiada na vida dos outros, naturalmente. Era uma solução muito prática acompanhar tudo em um lugar só; alguns museus e espaços culturais menores tem o IG como principal meio de divulgação, e acompanhando eles por lá eu conseguia ficar ciente das atividades que estavam oferecendo sem ter que ir até eles. Tudo isso é muito legal e bonito, mas eu geralmente era puxada para o vórtice do Explorar e perdia um tempo preciso da minha vida mergulhada no mais puro brain rot. E também, do que adianta eu ver que o museu perto daqui de casa inaugurou uma exposição sobre, sei lá, cultura ribeirinha, se eu não for lá ver?

A solução que encontrei foi voltar a navegar na web como faziam os maias e os astecas. Criei pastinhas na barra de ferramentas e fui adicionando os sites de alguns dos perfis que eu costumava seguir -- no total eram 61 e eu consegui lembrar de 55, o que foi uma grande surpresa já que minha memória é péssima. Agora não vou mais abrir uma rede social para ver a programação do cinema e me perder nela: é só abrir uma nova aba no navegador, ir na pasta Programação, clicar no site do cinema e pronto. O Firefox tem uma função simples, mas maravilhosa, de abrir todos os sites de uma pasta de uma vez só, o que me permite abrir todos os sites de notícias e ir fechando eles um a um depois de dar aquela lida básica na primeira página logo de manhã.  

Há um tempinho atrás eu flertei com a ideia de ter um dumbphone, mas para mim é impossível -- não só porque sou refém do WhatsApp, mas também porque um telefone moderno tem ferramentas que realmente me são úteis: mapa, aplicativo de banco, câmera, acesso à nuvem. Mas estou satisfeita com o jeito que as coisas estão agora. Eu já tinha tentado excluir o IG, porém acabava voltando por causa da praticidade de acompanhar tudo num só feed. Estou otimista com o sistema da barra de ferramentas, mas também me sentindo um pouco estúpida por estar tão satisfeita com uma solução tão simples (não é como se eu tivesse inventado a roda).   

É legal entrar nos sites ao invés de ver vários quadradinhos em sequência. Tinha esquecido o quanto o site da Quatro Cinco Um é bonito, já que tinha séculos que eu não entrava lá pelo desktop. Quero usar esse tempo livre que antes era desperdiçado nadando no brain rot para ir na livraria comprar a edição do mês da Quatro Cinco Um, que eu não compro desde o final do ano passado. Aí aproveito que no caminho tem um museu e entro lá para dar uma olhada e descobrir qual exposição está em cartaz, talvez até perguntar para alguém que trabalha lá se vai ter algum evento nas próximas semanas. Eu sempre achei muito bonita a cultura ribeirinha.

+ I hate my phone so I got rid of it, do Eddy Burback.

+ O Inferno é a Nuvem, do Calma URGENTE!!! 

30 de jun. de 2025

Fascínio

Tudo isso há muito tempo atrás: O clipe de "All the Things She Said" da dupla t.A.T.u. Billy Elliot (dir. Stephen Daldry). As Hex Girls. A Ana Carolina. O Ryan, de High School Musical (dir. Kenny Ortega). Aquela garota que andava de bicicleta com os meninos na pista de skate. A Adriana Calcanhotto. A abertura da novela Belíssima. A Kelsey, de High School Musical (obrigada por tudo, Kenny Ortega!). Kissing Jessica Stein (dir. Charles Herman-Wurmfeld). As Sailors Neptune e Uranus, de Sailor Moon. A Maria Gadú. D.E.B.S. (dir. Angela Robinson). As Sereias da Rive Gauche, da Vange Leonel. Jennifer's Body (dir. Diablo Cody). Aquele casal de moças que vi na praia quando estava no calçadão com a minha mãe, e nós duas fingimos que não vimos nada.

Fun Home, Alison Bechdel